Itaguaí Construções Navais inícia construção de submarinos no Rio


O governador Sérgio Cabral e a presidenta da República, Dilma Rousseff, participaram neste sábado (16/7) de cerimônia que marcou o início da construção dos quatro submarinos convencionais (S-BR) da classe Scorpène, de tecnologia francesa, no Brasil. A iniciativa faz parte do Acordo Estratégico Brasil-França que originou o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub) da Marinha do Brasil.

O evento aconteceu na sede da Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), em Itaguaí, município da Costa Verde. A previsão é de que o primeiro dos quatro submarinos convencionais a serem construídos esteja pronto em 2016 e após a realização dos testes de cais e mar seja entregue à Marinha em julho de 2017.

- Creio que hoje é uma tarde que sintetiza o grande momento que vive o Brasil e o Estado do Rio. Este evento é bem simbólico, de um lado a Marinha do Brasil, esta grande instituição que tem 65% de seu efetivo nacional no estado do Rio. A Marinha do Brasil é uma grande propulsora do desenvolvimento econômico e social do Rio e hoje, mais uma vez, comprova isso. Por outro lado, a França e o Brasil, especialmente com o estado do Rio, tem um vínculo muito forte. Nada disso seria possível se não tivéssemos um presidente metalúrgico que acreditou no Brasil e me disse que ia mudar o país. E foi a senhora, como ministra das Minas e Energia, como ministra da Casa Civil e depois, como presidente, que protagonizou e dirigiu este processo de mudança de rumo. Muito obrigado em nome do povo do Rio de Janeiro – disse Cabral.

No evento, Dilma acionou o botão de uma máquina, simbolizando o corte da primeira chapa da seção de qualificação do navio e descerrou a placa de início das obras, acompanhada do governador. Ela destacou a ação estratégica de se construir submarinos de alta tecnologia no país, inclusive os de propulsão nuclear.

- Vivemos um momento estratégico com o início da construção dos submarinos. Um pequeno grupo de países domina a construção destes equipamentos de propulsão nuclear. O Brasil dá mais um passo em relação a sua condição de país desenvolvido, com uma indústria sofisticada, capaz de utilizar tecnologias avançadas. O grande mérito desta parceria é a transferência de tecnologia e a aliança estratégica no sentido da construção de submarinos com a França. O Brasil possui grande valor com a descoberta do pré-sal, nada mais justo que tenhamos na Marinha um dos fatores de garantia de soberania – afirmou.

A fabricação dos S-BR, como são chamados os quatro submarinos convencionais incluídos no Prosub, representa o primeiro passo para a construção do submarino com propulsão nuclear brasileiro (SN-BR), contrato firmado entre o Brasil e a França, no final de 2008. O primeiro submarino com propulsão nuclear será concluído em 2023.

O submarino movido à energia nuclear apresenta alta tecnologia, dominada por um seleto grupo de países. Atualmente, apenas China, Estados Unidos, França, Inglaterra e Rússia detêm esse domínio tecnológico. Com o Prosub, o Brasil passará a integrar essa lista, já que o SN-BR terá reator nuclear e propulsão desenvolvidos pelo próprio País.

Nova empresa

Para viabilizar o programa de submarinos brasileiro foi constituída uma nova empresa, a Itaguaí Construções Navais (ICN), parceria entre a francesa DCNS e a construtora brasileira Norberto Odebrecht. A união foi formada com a participação da Marinha do Brasil, que detém golden share (direito de veto) sobre questões referentes à atuação da empresa. Caberá à ICN a construção de cinco submarinos.

Além da fabricação dos submarinos, o Prosub contempla a construção de um estaleiro, com previsão de conclusão para 2014, e de uma sofisticada base naval para abrigar as embarcações, prevista para seis meses após o término do estaleiro. As obras incluem também a instalação de uma Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (Ufem), que será inaugurada em novembro de 2012.

O local escolhido para as novas instalações foi a Ilha da Madeira, localizada no município de Itaguaí. A Ufem será alojada num terreno situado ao lado da Nuclep, estatal encarregada de produzir as seções cilíndricas que formarão os corpos dos submarinos.

O Programa de Desenvolvimento de Submarinos da Marinha do Brasil, de acordo com o Ministério da Defesa, irá gerar, somente durante as obras de construção previstas, mais de 9 mil empregos diretos e outros 27 mil indiretos. Projeta-se para o período de construção dos submarinos, apenas na área de construção naval militar, a criação de cerca de 2 mil empregos diretos e 8 mil indiretos permanentes, com utilização expressiva de mão-de-obra local.

Fonte: Secretaria de Imprensa do Rio de Janeiro

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